terça-feira, 4 de abril de 2023

A VIDA DE N.S. JESUS CRISTO


 A VIDA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO = NOVELA RADIOFÔNICA.


Rádionovela produzida em 1959 pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro.


Era repetida uma vez por ano, durante a Semana Santa.


O texto base é de orientação Católica, baseado na Bíblia Sagrada, Livros da Liturgia das Horas, nos Evangelhos Sinóticos e ainda nos livros Canônicos da Santa Igreja Católica, Apostólica Romana e da C.N.B.B. - Conferência Nacional dos Bispos dos Brasil.


A primeira transmissão da Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo ocorreu no dia 27 de março de 1959, na Sexta-Feira da Paixão, pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro. A produção de Giusepe Ghiaroni foi dividido em quatro seqüências: a primeira, a partir das 11:15 horas. A segunda, às 12:30 horas e A terceira, às 14:30 horas e a última parte às 18 horas. 


Ao início, O Bispo Diocesano da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Hélder Câmara, que já havia abençoado todo o elenco antes das gravações, na ocasião dirigiu uma breve saudação aos diretores da rádio, aos atores e atrizes e aos ouvintes e simpatizante da radiofonização da novela da Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Foram exatas 1':57":43"' hora de programação, incluindo, ao final um terço com vozes femininas, sob a supervisão da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Jamais houve um empreendimento semelhante no rádio brasileiro. Segundo os arquivos da Nacional, cerca de 500 emissoras, naquela ocasião de várias regiões do Brasil retransmitiram esta rádio novela, em ondas médias (A.M. - Amplitude Modulada), curtas (25, 31, 40 metros) e tropical (60 metros).


Pela complexidade do trabalho a apresentação de a Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo foi previamente gravada. Estavam chegando ao Brasil  os famosos gravadores de fita da marca Ampex. Eram fitas de rolo de excelente resposta com uma qualidade de gravação que condenou ao ostracismo os velhos gravadores de disco de acetato dos anos quarenta. Além do mais, ao contrário do gravadores em disco  acetato de 16 polegadas, as fitas podiam ser regravadas o que baixava extraordinariamente os custos. 


Apesar da novidade, a Nacional  não queria saber dessa historia de “não ficou bom grava de novo”. O programa  era gravado como se fosse ao vivo e ia ao ar como havia rolado. O profissionalismo de todos não admitiria falhas, nem a estrutura “industrial” das novelas veiculadas pela   rádio   aceitaria “gravar e regravar até sair direito”. A exceção foi  feita para a Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo em virtude da complexidade do trabalho. Mas mesmo assim foi tudo “gravado direto”, sem interrupções para consertar  o trabalho o que impressionou pelo profissionalismo,  beleza e perfeição.


Bastidores:

 

Algumas  gravações eram realizadas tarde da noite para aproveitar a ociosidade do estúdio de radioteatro. Mas para a gravação das cenas do julgamento e da crucificação, que exigiam a presença “de um  clamor da multidão”, os radiatores que iam   participando, tinham ordens de Floriano Faissal para permanecer no estúdio aguardando.


Dessa maneira, o estúdio, embora  grande, não comportou todo o imenso elenco de “extras”. As portas, então ficavam abertas e do lado de fora, do corredor, as vozes eram projetadas para o interior do ambiente. Criando o clima ideal.


Floriano Faissal dirigia o coro de extras que ora urrava, ora gritava, ora se lamentava, conferindo a dramaticidade necessária às cenas diante de Pilatos, o calvário, a crucificação e a morte de Jesus.


Uma noite, durante a gravação Pilatos deveria perguntar à turba representada pelo coro de extras:

E então o que faço com este homem?


As vozes deveriam responder:

Ele é réu de morte!

Crucificai-o !


Porém, no clímax da história, um gaiato grita e sua voz destaca-se claramente no meio da multidão:

Dá um ponta-pé nele!


Claro, Floriano Faissal mandou parar a gravação. Possesso, passou uma reprimenda em todos os extras. E teve que gravar o bloco de novo.


No dia seguinte, ouviu, exaustivamente, a gravação dezenas de vezes, tentando descobrir o dono daquela voz. Em vão. Mas as suspeitas recaíram sobre três jovens radioatores, a saber: Rodney Gomes, Bruno Neto e Carlos Marques.


Participaram das gravações  quase totalidade do elenco da PRE-8, ou seja, cerca de 120 atores e atrises.


Cast Principal:


MARIA (ainda mocina): Amélia de Oliveira

MARIA (já um pouco mais idosa): Amélia Ferreira 

JOSÉ: Hemilcio Froes

JESUS (Menino): Luiz Manoel 

JESUS (Adulto): Roberto Faissal

DEUS: Floriano Faissal 

HERODES: Mario Lago

JOÃO BATISTA: Celso Guimarães 

JOÃO EVANGELISTA: Celso Guimarães

PEDRO: Castro Viana 

ANDRÉ: Domingos Martins

FELIPE: Darcy Pedrosa 

ANJO: Walter Alves

SATANAZ: Rodolfo Mayer 

CAIFAZ: Castro Gonzaga

JUDAS: Domício Costa 

CENTURIÃO: Milton Rangel

MÃE DE LÁZARO: Lucia Delor 

MARTA: Simone Moraes

ANA: Neusa Tavares 

CHEFE DA GUARDA: José Américo

SAMARITANA: Olga Nobre 

PILATOS: Saint Clair Lopes

ESPOSA DE PILATOS: Zezé Fonseca 

MADALENA: Isis de Oliveira

ANAZ: Alfredo Viviani 

SIMÃO SIRINEU: João Fernandes

MALCON: Orlando Mello


Nos demais papéis


Neida Rodrigues - Norma Geraldi - Tina Vita - Haidée Fernandes - Lizete Barros - Terezinha Nascimento - Carmen Lidia - Maria Alice - Alvaro Aguiar - Geraldo Luz - Renato Murce - Bruno Neto - Milton da Mata - Samnir de Montemor - Jerdal dos Santos - Teixeira Filho - Edmundo Maia - Mafra Filho - Mendes Neto - Silva Ferreira - Rodrigo Sales - Rodney Gomes - Cícero Acaiaba - Dinarte Armando - Antonio Laio - Cauê Filho - Carlos Marques - Fernando Maia - Geraldo Avelar - Jonas Garret - José de Arimatéia - Manoel Brandão - Waldir Fiori - Roque da Cunha - Paulo Ferreira - Wolney Camargo - Dantas Ruas - João Ruas - João Zaccharias - Arthur Costa Filho, Navarro de Andrade e Mauro Pereira Vianna.


Sonoplastia: Lourival Faissal, Gurgel de Castro, Manoel Coutinho


Contra-regras: Jorge de Oliveira, Isaias Silva, Geraldo Cruz, Jorge de Moreira


Operadores de som: José Marques, Francisco Onofre


Sonoplastia e Contra-Regra:


Chefia da Mesa de Audio: Joaquim de Souza Palma.


Engenheiro Responsável: Moacir da Silva Bueno.


Sob a chefia de Lourival Faissal, atuaram em "A Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo" os sonoplastas Gurgel de Castro e Manoel Coutinho. Já a contraregra, que deu um realismo impressionante às cenas, foi feita por quatro profissionais de larga experiência: Jorge Moreira, Isaias Silva, Geraldo Cruz e Jorge de Moreira.


A sonofonia produziu uma trilha musical muito criativa. A narração magistral de César Ladeira tinha como um dos fundos musicais  o sound-track ou Black Ground do filme A Canção de Bernardette de Alfred Newman, Oscar  de 1943. O filme, estrelado por  Jennifer Jones, William Eythe,Vincent Price e Lee J. Cobb, contava a história da vida de Santa Bernardette em Lourdes no sudoeste da França. 


Uma trilha muito bonita, carregada de lirismo e muita religiosidade como se pode imaginar, foi utilizada em diversas novelas nos anos seguintes, mas teve  seu aproveitamento mais feliz na Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois a temática das aparições de Nossa Senhora à jovem Bernardette em Lourdes, perfeitamente se encaixavam à temática dos  eventos de Cristo junto ao seu povo.


Assim, havia uma seqüência de  acordes musicais extraídos da  trilha e que pontificavam todas as vezes que Jesus Cristo  falava aos  seus seguidores.  A cena em que Jesus é tentado pelo diabo, muito bem vivido por Rodolfo Mayer teve, entre outros, o fundo musical extraído da trilha sonora do filme O Egípcio do mesmo Alfred Newman  que chegara ao Rio em 1953.


Essa trilha é também muito rica e  além do tema de abertura com grande orquestra e coral que serviu de prefixo  ao Grande Teatro, possuiu momentos de agitação, dinamismo, além de  pontos carregados de suavidade, leveza e romantismo. Por isso, muito aproveitada na Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo.


O final de O Egípcio consta de uma faixa sob o título de “Exílio e Morte”. Uma linda composição com grande orquestra e coral e que se encaixou perfeitamente ao final da seqüência que  culmina com Jesus  fazendo o “Sermão da Montanha”  .


A Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo também é pontuada por "Marcellus returns to Capri" da trilha sonora de O Manto Sagrado (The Robe, 1953) do mesmo Alfred Newman. O Manto Sagrado é um filme dirigido por Henry Koster  e conta a trajetória de um tribuno romano que comanda a unidade encarregada da crucificação de Jesus. Distribuído pela 20th Century Fox, foi o primeiro filme produzido pela CinemaScope em widescreen.


Um momento  de alto poder dramático é o da crucificação e morte de Jesus.  Instante em que várias trilhas foram  utilizadas, entre elas a Segunda Sinfonia de Gustav Mahler, Manfred de Tchaicovisky e “Assim falou Zaratustra”. Isso em meio a raios, trovões e ao urro animalesco da turba que  festejava  o martírio  do Cristo e que de súbito entra em pânico ao presenciar os fenômenos meteorológicos  que se sucedem à morte do Jesus  Crucificado.


Ao longo dos anos, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro continuava a reprisar o programa em  horários diferentes daqueles em que fora lançado originalmente, sempre na  Sexta-feira da Paixão. Mais tarde fundiram-se os blocos e até os anos noventa havia uma transmissão no meio da tarde e outra à noite. Com a encampação da rádio pelo governo federal, deixou de apresentar esta rádio novela e passou a ser um audio raro, que agora vocês nossos seguidores teram o prazer de vivencia-la. Sejam todos e todas bem venda na audição da dramatização da novela radiofônica "A Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo".


https://www.youtube.com/watch?v=1wdh-x6RnmU